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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Para Sempre - Poema para o Dia das Mães

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

 Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,

puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra

- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade)

Feliz dia das mãe para todas as mãe e em especial, para a minha MAMÃE!
Te amo, Dona Graça.


Beijinhos, a garota do Blog.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Para embelezar o dia...só com poesia.

Aqui te amo

Aqui te amo.
Nos obscuros pinheiros o vento desenlaça.
A lua fosforesce sobre as águas errantes.
Dias iguais se perseguem. 
A névoa se desenha em figuras dançantes.
Uma gaivota de prata se descola do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
Às vezes amanheço, e até minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Este é um porto.
Aqui te amo. 
Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte.

Estou te amando ainda entre estas frias coisas.

Às vezes vão meus beijos nestes barcos graves,
que correm pelo mar até aonde não chegam. 
Já me creio esquecido como essas velhas âncoras.
São mais tristes os molhes quando a tarde atraca.
Minha vida se afadiga faminta inutilmente.
Amo o que não tenho. Tu estás tão distante.
Meu fastio faz força com os lentos crepúsculos.
Mas a noite chega e canta para mim.

A lua faz girar sua roda de sonho. 

Me olham com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento
querem cantar teu nome com suas folhas de cobre.


Pablo Neruda


Mais um poema do grande poeta chileno, Pablo Neruda. 
Espero que vocês gostem e apreciem como eu.

Beijinhos, a garota do Blog.